Composto de frutas mostra-se promissor contra doenças gengivais e pode oferecer alternativa aos antibióticos


Frutas contendo morin, um flavonóide que os pesquisadores dizem, podem ajudar a combater doenças gengivais. (iStock)
Frutas contendo morin, um flavonóide que os pesquisadores dizem, podem ajudar a combater doenças gengivais. (iStock)

Um composto natural encontrado em frutas como maçã, goiaba e figo pode ajudar a prevenir e tratar doenças gengivais, de acordo com uma nova pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Cientistas da Faculdade de Odontologia de Araraquara (FOAr-UNESP) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFAr-UNESP) da universidade identificaram o morin, um flavonóide vegetal concentrado em cascas e cascas de frutas, como tendo propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e antimicrobianas contra as bactérias causadoras da doença periodontal.

O que descobriram até agora é que a formulação em pó pode beneficiar pacientes com destreza limitada

No in vitro No estudo, os pesquisadores testaram morin em biofilmes bacterianos multiespécies que imitam condições de doenças gengivais. Eles então desenvolveram um pó fino e seco por spray, semelhante ao processo usado para fazer leite em pó, para servir como ingrediente de higiene bucal de liberação controlada.

“No momento, temos um pó fino obtido por atomização que pode ser utilizado na fabricação de diversos tipos de produtos de higiene bucal”, disse Andréia Bagliotti Meneguin, da FCFAr-UNESP.

“A ideia é criar uma plataforma que possa ajudar pessoas com deficiência motora que tenham dificuldade para escovar corretamente, como idosos e pacientes com necessidades especiais”, acrescentou Cláudia Maria Brighenti, pesquisadora da FOAr-UNESP.

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Uma plataforma desenvolvida na FOAr-UNESP transforma o morin em um pó fino e pulverizado – semelhante ao leite em pó – destinado ao uso por pessoas com habilidades motoras reduzidas, como idosos e pacientes com necessidades especiais, que podem ter dificuldade para escovar os dentes adequadamente (Foto cortesia do arquivo de pesquisadores).

Alternativa potencial para antibióticos e enxaguatórios bucais

Em seu estudo, publicado em Arquivos de Biologia Orala ação multidirecionada do morin pode torná-lo um complemento mais seguro aos tratamentos convencionais, como clorexidina ou chips antibióticos – agentes que podem alterar o microbioma oral e promover a resistência bacteriana.

“Ao contrário dos agentes convencionais, a combinação de efeitos anti-biofilme, anti-inflamatórios e antioxidantes do Morin pode oferecer benefícios mais amplos com menos efeitos colaterais e melhor adesão do paciente”, escreveram os pesquisadores.

A autora principal, Ana Cláudia Sales, observou que as formulações anteriores eram muito grandes para uso oral, o que a levou a projetar um sistema de micropartículas usando alginato de sódio e goma gelana – materiais já aprovados para administração de medicamentos, mas ainda não comuns em odontologia.

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Benefícios adicionais: Menos manchas

A equipe de pesquisa também notou que os biofilmes tratados com morin pareciam menos manchados, sugerindo possíveis benefícios no clareamento dental. Estudos futuros determinarão se o morin mantém o equilíbrio bacteriano natural da boca.

“Também pretendemos oferecer uma alternativa aos produtos atuais que muitas vezes causam efeitos colaterais, como alteração do sabor, acúmulo de tártaro ou manchas após uso prolongado”, disse Brighenti.

O grupo está agora a optimizar a formulação para escalabilidade, com o objectivo de desenvolver produtos de higiene oral acessíveis à base de morina para apoiar tanto a higiene diária como os tratamentos preventivos profissionais.