Os profissionais de saúde da linha de frente tiveram taxas mais altas de insônia durante e após a pandemia



Os profissionais de saúde da linha de frente tiveram taxas mais altas de insônia durante e após a pandemia

Uma análise co-liderada por Josefa A. Antón Ruiz, investigadora do Departamento de Psicologia da Saúde da Universidade de Alicante (UA), revela que 43,5% dos profissionais de saúde experimentaram sintomas clinicamente significativos de insónia durante e após a pandemia de COVID-19. O artigo, publicado na revista Psicologia Atual da editora internacional Springer Nature, baseia-se numa análise conjunta de 34 estudos realizados em 14 países, com uma amostra de 32.930 profissionais de saúde.

Esta meta-análise fornece uma das estimativas globais mais abrangentes e atualizadas sobre a prevalência e gravidade da insónia neste grupo, uma vez que abrange tanto a fase aguda da pandemia como o subsequente regresso à normalidade. Segundo Antón-Ruiz, coautor do artigo com investigadores da Universidade Católica de Múrcia, os resultados mostram que os níveis de gravidade da insónia ultrapassaram os pontos de corte clínicos nos vários instrumentos de avaliação utilizados.

O estudo revela diferenças significativas em função do tipo de exposição ocupacional. Entre os profissionais que trabalham na linha de frente em contato direto com pacientes com COVID-19, a prevalência de insônia atingiu 54,9%, em comparação com 33,5% naqueles que não desempenhavam funções diretas de cuidado. Estes dados reforçam a hipótese de que a exposição contínua a situações de alta pressão, risco de infeção, carga de trabalho e tomada de decisões críticas contribuíram significativamente para a deterioração do sono, conforme explica a investigadora doutorada em psicologia da saúde.

Além disso, a pesquisa também detectou variações geográficas. Valores mais elevados são reportados na Europa, com uma prevalência de 58,2%, enquanto na Ásia a taxa é de 38,3%.

Implicações e recomendações

O estudo destaca que a insônia não foi apenas frequente, mas também clinicamente relevante durante e após a pandemia. Como observa o Dr. Antón-Ruiz, a ligação comprovada entre a insónia e outras perturbações mentais de longa duração sugere que estas descobertas têm implicações significativas para a sustentabilidade e resiliência dos sistemas de saúde.

De acordo com este artigo, os resultados obtidos sublinham a necessidade de implementar programas estruturados de apoio psicológico aos profissionais de saúde, bem como de estabelecer intervenções específicas na regulação do sono e na gestão do stress. Neste sentido, o investigador da UA afirmou que abordar a insónia não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas um fator chave para a segurança do paciente e a qualidade dos cuidados. A saúde do sono deve ser sistematicamente integrada nas políticas institucionais e nos planos de preparação para futuras crises sanitárias.

O Dr. Antón-Ruiz concluiu que ter evidências científicas sólidas a médio e longo prazo permite fundamentar decisões de saúde ocupacional, orientar políticas públicas baseadas em dados e deixa claro que a saúde mental – e especificamente o sono. Afirmou que esta não é uma questão secundária, mas sim um elemento central para garantir sistemas de saúde seguros, sustentáveis ​​e de alta qualidade.

Fonte:

Referência do diário:

Horiza, A., e outros. (2026). Insônia entre profissionais de saúde durante e após a pandemia de COVID-19: uma revisão sistemática e meta-análise. Psicologia Atual. DOI: 10.1007/s12144-026-09091-9. https://link.springer.com/article/10.1007/s12144-026-09091-9

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