Estudo visa compreender as origens moleculares da síndrome do neurodesenvolvimento CTNNB1



Estudo visa compreender as origens moleculares da síndrome do neurodesenvolvimento CTNNB1

Por ocasião do Dia das Doenças Raras, o Instituto Biofisika (CSIC, EHU) apresenta o andamento de um projeto que visa compreender a origem molecular da síndrome do neurodesenvolvimento CTNNB1, uma doença rara causada por mutações na proteína beta-catenina. Embora tenham sido diagnosticados menos de 50 casos desta patologia em Espanha, as doenças raras afectam um total de quase três milhões de pessoas.

O estudo é liderado por Sonia Bañuelos, investigadora do Instituto Biofisika e docente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade do País Basco (EHU).

“Nosso objetivo é entender como essas mutações impedem a formação correta do cérebro. Compreender os mecanismos em nível molecular é essencial para que terapias específicas possam ser desenvolvidas no futuro”, enfatiza o cientista.

O projeto está sendo realizado em colaboração com uma equipe de neuropsicologia da Universidade de Deusto – pioneira no estudo da doença –, geneticistas moleculares do Instituto Biobizkaia do Hospital Universitário Cruces e a plataforma organoide cerebral do Centro de Neurociências Achucarro. A Associação Espanhola de Pacientes CTNNB1, com sede em Bizkaia, também participa ativamente na iniciativa.

Uma proteína chave para o desenvolvimento adequado do cérebro

A beta-catenina é essencial durante o desenvolvimento embrionário e também no organismo adulto. Uma de suas funções está relacionada à adesão celular, que confere consistência e resistência mecânica aos tecidos. Estes processos são fundamentais na formação do cérebro e no estabelecimento e plasticidade das sinapses, base da aprendizagem e da memória.

Na síndrome CTNNB1, a maioria das mutações gera proteínas incompletas ou mal dobradas que não conseguem desempenhar sua função. Esse mau funcionamento altera processos críticos no desenvolvimento do cérebro.

IA, biofísica e organoides cerebrais para estudar uma síndrome rara

A equipe do Instituto Biofisika utiliza ferramentas baseadas na estrutura tridimensional das proteínas para prever como essas mutações afetam a interação entre a beta-catenina e a caderina, componentes-chave dos complexos de adesão celular.

As previsões são verificadas em laboratório por meio de técnicas biofísicas. Para isso, são produzidas em bactérias versões mutadas da proteína correspondentes a casos reais identificados na coorte espanhola. Os organoides cerebrais permitem uma modelagem mais precisa de como essas alterações impactam o desenvolvimento do tecido nervoso.

Embora se trate de pesquisa básica, os resultados “poderiam ajudar no desenvolvimento futuro de terapias racionais”.

Sonia Bañuelos, pesquisadora do Instituto Biofisika e docente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade do País Basco

Apoiar a investigação sobre doenças raras

“Compreender os mecanismos de uma doença é o primeiro passo para encontrar a cura. Por isso é necessária a investigação sobre doenças raras”, sublinha o investigador.

Por ocasião do Dia das Doenças Raras, o Instituto Biofisika recorda a importância de promover a investigação sobre estas doenças minoritárias, que têm um enorme impacto em quem as vivencia em primeira mão.

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